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Eficientes

por Camila Mancini e Douglas Kato

Células tronco: a morte do direito à vida

publicado dia 28 de julho de 2010 às 16h23

(*) Eliseu Visconti

Há uma grande polêmica em todo o mundo, envolvendo cientistas, médicos, psicólogos e sobretudo religiosos. Trata-se do direito ou não de conduzir pesquisas de células tronco, extraídas de embriões congelados.

O grande nó da questão é o aspecto religioso, advogado com insistência e até mesmo intolerância, pelos setores mais conservadores da Igreja Católica. Defendem os católicos que as pesquisas resultariam na morte dos embriões que, por terem vida, são intocáveis.

É inegável a influência e o poder da Igreja, mas é também injustificável a sua intransigência: já no Século 11, a Igreja condenava o estudo da medicina. As grandes escolas médicas floresceram na Pérsia, e os doutores celebrados eram Maimônides – judeu – e Ibn Sina – muçulmano. Autópsias e dissecação de cadáveres consistiam em crime, e por conta deste inacreditável tabu a medicina estagnou-se por séculos, e também a investigação das doenças.

A grande verdade é que o reacionarismo de certos setores da Igreja obstaculizou o progresso da vida, em detrimento do bem estar social. O uso de contraceptivos é visto, ainda hoje, como atentado à vida pelo Vaticano, que prefere assistir à proliferação das doenças venéreas e à paternidade irresponsável.

O uso de embriões congelados em pesquisas surgiu há 10 anos, nos EUA, e espalhou-se com muita rapidez, a despeito dos protestos dos religiosos. Doenças degenerativas, como a diabete, o Mal de Parkinson, as lesões medulares e outras, podem ser evitáveis, curáveis ou tratáveis, mediante a injeção de células tronco em organismos doentes.

Registre-se que a população mundial enfrenta o inevitável processo de envelhecimento, num ritmo talvez surpreendente, mas previsível. Atualmente, a humanidade vive mais e se reproduz menos. Em conseqüência, as doenças degenerativas, características do envelhecimento, tendem a aumentar, em proporção crescente.

Voltamos, neste ponto, à grande polêmica: é-nos lícito interromper as pesquisas conducentes à melhoria e à cura dos nossos semelhantes? E à nossa própria melhoria?

Um embrião gera, na verdade, o potencial de se tornar um cidadão. A sua destruição pode resultar, no limite, à perda de uma talvez vida futura.A moral humana tropeça, por vezes, na discussão estéril e improdutiva, que a nada leva, ou melhor, que debate questões evidentes.

Galileu Galilei, católico fervoroso, um dos maiores cientistas da Humanidade, foi condenado pelo Santo Ofício, por volta do ano 1600, e suas obras incluídas no Index Librorum Proibitorum. Só não virou churrasco porque abjurou suas crenças. (mas murmurou, entredentes, “eppur si muove.” (mas ela se move). Passados mais de três séculos, em 1999 foi Galileu reabilitado pela Igreja.

Será útil ao ser humano esperar mais outros 300 anos, até a Igreja acordar?

A Cesar o que é de Cesar.

(*) Eliseu Visconti, em especial para o GN a pedido do vereador Douglas Kato


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